setembro 22, 2021
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Entrevista com Eduardo Espessote.

“…o respeito é muito maior hoje em dia, com certeza. Mas quando eu comecei não era tão bem visto”.

Nascido em São Bernardo do Campo-SP, em 30 de setembro de 1985, Eduardo Espessote é jogador profissional do BBZ Staking também é professor de poker. Entre os anos de 2006 e 2010 trabalhou como bancário, depois disso atuou em uma empresa no ramo de plásticos. Dedicou-se ao poker de maneira recreativa até 2014, quando passou a ter o poker como ofício.

Como e quando você conheceu o poker?
–  “Conheci o poker em 2010 quando assistia a WSOP e depois comecei a jogar online”.

Como você se tornou profissional?
–  “Em 2014 eu estava desempregado e já tinha um certo lucro no poker. Foi então que um amigo, o Rafael Roglio, me indicou para jogar no time que ele também jogava, onde joguei por mais ou menos um ano. Depois disso conheci o BBZ, time que jogo até hoje”.

Quais as principais dificuldades você encontrou e quais ainda encontra?
–  “A maior dificuldade que encontrei e ainda encontro é a de estudar poker várias horas por dia, não consigo ser muito estudioso. Tenho um limite para estudar, o máximo que eu consigo é três vezes por semana, uma hora por dia. Uma dificuldade que eu tinha e não tenho mais é com a atenção, e isto só foi melhorar depois que eu conheci o poker”.

Quais coisas você mais gosta e quais você menos gosta no poker?
–  “Gosto de jogar né?! Jogar a competição em si, os torneios, sou uma pessoa competitiva. O que eu menos gosto é o ego. Pessoas que não dividem os seus conhecimentos, que guardam segredos demais e que não se entregam na hora de estudar com você, eu já me afasto, porque não é uma coisa boa, não é uma boa característica”.

Além de jogar você também vende cursos, como tem sido esta experiência?
–  “Passar conhecimentos em um curso de poker é uma experiência muita boa porque você acaba aprendendo coisas com os seus alunos, nem que seja algo off poker. Ouvir as histórias deles é algo que traz muitos benefícios. Além disso, passar o conhecimento faz com que você fixe a informação, pois dar aula também é uma forma de estudar”.

Como tem sido a evolução dos seus alunos?
–  “Cada aluno tem a sua evolução de maneira individual. Tento sempre somar o máximo aos meus alunos, e aquele que realmente acredita e se dedica, vai evoluir, vai puxar algum torneio importante, logicamente se ele volumar. Depende muito mais do aluno, se ele se dedica e usa o suporte que é conversar comigo sobre as mãos que ele joga. Estudar com outras pessoas e se manter focado nos estudos, uma hora ele vai começar a lucrar. Muitos dos alunos são recreativos e não tem tempo de estudar o quanto deveriam, mas eu faço o máximo para contribuir”.

Qual o público que busca seus cursos?
–  “É um público iniciante / intermediário:aquele que quer ser lucrativo, ou aquele que já é e quer melhorar o seu jogo. O curso não é direcionado para quem quer algo do zero e para aqueles que já são lucrativos no lowstacks. O curso é destinado para quem joga micro e ainda não é lucrativo e também para pessoas com poucos lucros, ou que querem realmente pegar um bom material para estudo, e assim poder criar um bankroll, melhorar seu gráfico, sendo assim, terem mais chances de entrar em um time”.

Com qual freqüência você joga live? Você acredita que jogar live é fundamental para alguém que busca o profissionalismo?
–  “Jogo pouco, tento jogar o CPH e o BSOP pelo menos em São Paulo. Não acho que o live seja fundamental para quem busca o poker como profissão, a profissão é online. Eu falo que o live é o meu hobby. Saio de casa, tenho um momento social, encontro os amigos do poker, encontro os seguidores e os alunos. Logicamente que eu tento jogar de forma lucrativa, mas não posso dizer que é a minha profissão, porque não é. A minha profissão é jogar online e dar aulas”.

Você admira algum jogador?
–  “Admiro várias pessoas no poker. Uma pessoa muito inspiradora é o Yuri Nerdguy, por aquilo que ele oferece pra comunidade do poker. Ainda não tive a oportunidade de conhece-lo pessoalmente, mas eu tenho admiração por aquilo que ele vem fazendo. Outro que admiro é o Bruno Volkamnn que é um cara bem humilde. Eu ainda quero ter a chance de ter aula com eles, pela experiência que eles possuem. Tem muita gente que sou fã e que gosto muito, admiro vários.

Quantas mesas simultâneas você joga e quantos torneios você chega a jogar em uma única sessão online?
–  “Jogo em torno de 10 a 14 mesas, depende do dia. Tem dia que estou mais focado e jogo entre 12 e 14 e nos dias que eu estou mais cansado eu jogo até 10 mesas”.

Você usa algum software de apoio? Qual a importância que você dá para este tipo de recurso?
–  “Já usei muito, hoje não uso nada. Jogo sem este tipo de auxílio por motivos de estudo. Tento pegar uma experiência jogando sem HUD, já estou há um tempo assim e estou gostando. Para quem está começando considero que é muito importante, mas pra quem já tem um conhecimento, penso que é bom deixar um pouco de lado. Atualmente, quando uso é para estudo e não para jogar”.

Qual a imagem que o poker tinha no Brasil quando você começou, e qual a imagem que tem hoje?
–  “No início havia muito preconceito, hoje muitas pessoas já entendem o jogo como uma profissão. Até mesmo minha família, que não entendia e hoje entende um pouco mais, sabem da minha importância na questão de passar conhecimento, sabem que sou professor de poker. Então, o respeito é muito maior hoje em dia, com certeza. Mas quando comecei não era tão bem visto”.

Atualmente você joga para um time, o BBZ. Quais as vantagens você considera em jogar para times?
–  “O primeiro time que joguei, era um time bem pequeno, o NoDeal. Mas com certeza meu jogo mudou e minha vida melhorou bastante quando entrei para o BBZ. Nesta ocasião comecei realmente a pensar como um profissional. A grande vantagem de jogar para um time é que você passa a ter acesso a um estudo bem completo e você adquiri muito conhecimento. Ainda mais em um time que o deal é 50/50, onde a vantagem é que, além de muito estudo, você tem metas e acaba tendo mais disciplina. Uma desvantagem é dividir os lucros quando você já tem um jogo bom, por isso, muitos jogam em times por alguns anos e depois param. O time e os instrutores do time têm que estar em constante evolução, senão o jogador fica estagnado. Uma desvantagem de não jogar para um time é que você fica menos disciplinado”.

O que você considera ser fundamental para que um jogador consiga se profissionalizar?
–  “Dedicação, disciplina, tempo e gerenciamento financeiro. Não adianta você querer começar a jogar poker sem ter nenhuma reserva para aguentar um ano, mais ou menos. A dedicação e a perseverança são fundamentais: tentar, tentar e não parar. Quando o dia começa ruim e o cara para de registrar, não é algo que um profissional pode fazer”.

Quais as principais dicas que você tem para um iniciante?
–  “Penso que ele deve procurar fazer amizades com pessoas que jogam melhor do que ele e que estão a mais tempo no jogo. Estudar os conceitos básicos e com certeza ouvir mais e falar menos. Assumir os erros também é algo que considero muito importante. Assumir que não sabe ou que errou é melhor do que ficar arrumando desculpa”.

“A dedicação e a perseverança são fundamentais, tentar, tentar e não parar”.

A equipe do Ciência Poker agradece Eduardo Espessote pela entrevista e lembramos que você pode acessar a twitch dele pelo seguinte endereço: www.twitch.tv/espessote

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